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Saúde mental

Setembro Amarelo: sinais de alerta e como buscar ajuda

Entenda o Setembro Amarelo, reconheça sinais de alerta e saiba como apoiar alguém e buscar ajuda pelo CVV 188, CAPS, SAMU 192 e outros serviços.

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Escrito por

Dra. Bárbara Moura Medeiros

Médica · Diretora Técnica Médica · CRM-GO 25.880 | CRM-MG 83.517

Publicado em 2 de setembro de 2026

Homem acolhe amigo em conversa ao lado de celular e laço amarelo

Resposta rápida

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Setembro Amarelo é uma campanha nacional de prevenção ao suicídio. Há ajuda disponível: o CVV oferece apoio emocional gratuito pelo 188, 24 horas por dia; em risco imediato, ligue 192 ou procure um pronto-socorro. CAPS, UBS e profissionais de saúde podem oferecer avaliação e acompanhamento.

Se você está em sofrimento agora: o CVV — Centro de Valorização da Vida — atende 24 horas por dia, todos os dias, pelo telefone 188 (ligação gratuita) e pelo chat em cvv.org.br. Em situação de emergência, ligue 192 (SAMU) ou procure o pronto-socorro mais próximo. Você não precisa passar por isso sozinho.

Setembro Amarelo é a maior campanha de conscientização sobre prevenção ao suicídio do Brasil — e este guia existe para cumprir o papel que a campanha propõe: informar sem tabu, ensinar a reconhecer sinais de alerta e mostrar os caminhos concretos de ajuda.

O que é o Setembro Amarelo

A campanha foi criada em 2015 pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), inspirada no Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, celebrado em 10 de setembro. A cor amarela e o laço viraram símbolo de um compromisso: falar abertamente sobre um tema que o silêncio só agrava.

A mensagem central do Setembro Amarelo não é sobre morte — é sobre cuidado e prevenção. Pensamentos suicidas podem estar associados a diferentes situações de sofrimento e condições de saúde que precisam de avaliação. Buscar ajuda amplia as possibilidades de proteção e cuidado. Por isso, a campanha procura reduzir o estigma e preparar quem está ao redor para acolher.

Falar sobre suicídio aumenta o risco? Não — e isso importa

Um dos mitos mais persistentes é o de que perguntar sobre pensamentos de morte "colocaria a ideia na cabeça" de alguém. As diretrizes de saúde apontam o contrário: perguntar com respeito e sem julgamento alivia, abre espaço para a pessoa nomear o que sente e é, muitas vezes, o primeiro passo para ela aceitar ajuda.

O cuidado necessário está no como falar: sem detalhes de métodos, sem tom sensacionalista, sem tratar o sofrimento como fraqueza ou escolha. É a linha que este texto — e toda comunicação responsável — segue.

Sinais de alerta que merecem atenção

Nem todo sinal significa risco iminente, e nem toda pessoa em risco dá sinais visíveis. Ainda assim, alguns comportamentos pedem atenção e conversa, especialmente quando aparecem juntos ou mudam de repente:

  • frases de desesperança: "nada vai melhorar", "sou um peso", "queria sumir";
  • despedidas incomuns, doação de objetos importantes, resolução repentina de pendências;
  • isolamento crescente de amigos, família e atividades que davam prazer;
  • mudanças marcadas de sono, apetite ou consumo de álcool e outras substâncias;
  • calma súbita após um período de crise intensa — que pode indicar uma decisão tomada, não melhora;
  • automutilação ou menções, mesmo em tom de brincadeira, a se machucar.

Diante desses sinais, o erro mais comum é esperar "ter certeza". Não espere: pergunte, escute e ajude a pessoa a chegar a um profissional.

Como apoiar alguém que está sofrendo

Você não precisa ter as palavras perfeitas — precisa estar presente. Algumas orientações práticas:

  1. Pergunte diretamente e com calma: "você tem pensado em se machucar?" — a pergunta clara demonstra que você aguenta ouvir a resposta;
  2. Escute sem interromper e sem julgar: evite "isso é bobagem", "tem gente pior" ou soluções rápidas; valide o sofrimento ("faz sentido você estar cansado");
  3. Não prometa segredo absoluto: em risco, envolver outras pessoas de confiança e profissionais é proteção, não traição;
  4. Ajude nos passos concretos: ofereça-se para ligar junto para o 188, pesquisar um serviço, marcar e acompanhar uma consulta;
  5. Em risco imediato, não deixe a pessoa sozinha: acione o 192 ou leve-a ao pronto-socorro, e afaste meios de se machucar que estejam ao alcance;
  6. Cuide de você também: apoiar alguém em crise pesa; quem apoia também pode buscar orientação profissional.

Onde buscar ajuda: os caminhos concretos

  • CVV — 188: apoio emocional gratuito e sigiloso por telefone, 24 horas por dia. O site do CVV informa os horários dos canais de chat e e-mail. Não é preciso esperar o sofrimento piorar para buscar apoio;
  • CAPS: os Centros de Atenção Psicossocial são a porta do SUS para saúde mental, com atendimento gratuito e equipes multiprofissionais — as unidades de saúde da sua cidade indicam o CAPS de referência;
  • Pronto-socorro e SAMU 192: para risco imediato, sempre;
  • Psiquiatra: para avaliação, diagnóstico e tratamento quando houver indicação. A consulta pode acontecer por telemedicina em situações adequadas ao formato; explicamos o fluxo no guia como funciona a consulta com psiquiatra online;
  • Psicólogo: a psicoterapia é parte central do cuidado, sozinha ou combinada ao acompanhamento médico — entenda os papéis no guia psiquiatra ou psicólogo.

Importante: teleconsulta agendada não é canal de emergência. Em risco imediato, ligue 192 ou procure um pronto-socorro; para apoio emocional, o CVV atende pelo 188. O acompanhamento profissional participa do cuidado antes e depois das crises.

Prevenção é o ano inteiro

O laço amarelo de setembro só cumpre sua função se o cuidado continuar em outubro. Prevenção, na prática, é acompanhamento contínuo: tratar a depressão e a ansiedade como as condições médicas que são, manter o tratamento mesmo quando os sintomas melhoram e ter um profissional de referência a quem recorrer. Se você identificou sinais em si ou em alguém próximo neste Setembro Amarelo, o passo mais importante é o próximo: uma conversa, uma ligação para o 188 ou uma avaliação com psiquiatra.

Perguntas frequentes

O Setembro Amarelo é só sobre suicídio?

O foco é a prevenção ao suicídio, mas a campanha trata, na prática, de saúde mental em sentido amplo: reconhecer o sofrimento psíquico, reduzir o estigma e facilitar o acesso ao cuidado — porque é isso que previne.

Quando a tristeza deixa de ser normal e vira sinal de alerta?

Tristeza é reação humana a perdas e frustrações. O alerta surge quando o sofrimento é intenso, dura semanas, compromete sono, trabalho e relações, ou vem acompanhado de desesperança e pensamentos de morte — cenário que merece avaliação profissional, como detalhamos no guia sobre a primeira consulta com psiquiatra.

Ligar para o 188 é só para quem pensa em suicídio?

Não. O CVV acolhe qualquer sofrimento emocional — solidão, angústia, luto, desespero. Ligar cedo, antes de a dor crescer, é exatamente o uso que a prevenção recomenda.

Como falar de Setembro Amarelo com adolescentes?

Com naturalidade e sem sermão: perguntar como estão de verdade, levar a sério o que responderem e apresentar os canais de ajuda (188, CAPS, escola, profissionais). Mudanças bruscas de comportamento, isolamento e automutilação pedem avaliação profissional sem demora.

Transparência editorial

Fontes consultadas

  1. Setembro Amarelo — campanha oficial da Associação Brasileira de Psiquiatria
  2. CVV — Centro de Valorização da Vida, apoio emocional 24 horas pelo 188
  3. Ministério da Saúde — Saúde mental: onde buscar atendimento
  4. Ministério da Saúde — CAPS: Centros de Atenção Psicossocial
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Sobre a autora

Dra. Bárbara Moura Medeiros

Médica e Diretora Técnica Médica da Clínica Popular Online. Os registros profissionais podem ser consultados no portal oficial do Conselho Federal de Medicina.

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